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O programa “Você é Curioso?”, da Rádio Bandeirantes, apresenta o quadro Interferência no primeiro sábado de cada mês. Por três vezes, foram interpretadas peças de autoria de José Medina a partir de adaptação de seus roteiros originais. Confira os áudios.

Dia 06/09/2014 foi a vez da peça “O homem mais feio do mundo“, nas vozes de  Marcelo Abud, Marcelo Duarte, Silvania Alves, Vera da Cunha Pasqualin, Sérgio Miranda e Warde Marx.

Já no dia 05/10/2013, foi interpretado o texto “Cinco Minutos“. No mesmo programa, foi apresentada entrevista sobre a pesquisa de mestrado que está sendo feita por Vera da Cunha Pasqualin sobre a obra de Medina.

Em 19/04/2013 foi feita uma homenagem a Lygia Fagundes Telles através da peça “Praia Viva“, adaptada e dirigida por Medina a partir do texto desta grande representante da literatura brasileira.

Vale a pena conferir sempre o que o professor Marcelo Abud anda fazendo no seu blog Peças Raras.

 

Cast do programa de 06/09/2014

Gravação do programa de 05/10/2013

 

Em tempos de falta de água em São Paulo, que tal esta solução? Encontramos esta “pérola” na página 6 do Jornal de São Paulo, publicado no dia 20/12/1946. Será que devemos promover mais programas de rádio que prendam a atenção dos ouvintes pra melhorar a situação?!

Transcrevendo:

“OS BONS PROGRAMAS DE RÁDIO DIMINUEM O CONSUMO DE ÁGUA. ESTOCOLMO (Via aérea) – A diretoria de Água observou um fato curioso relacionado com o rádio. É que existe uma pronunciada correspondência entre os programas de rádio e o consumo de água. Quando as emissões de rádio em Estocolmo são especialmente divertidas, as donas de casa adiam até o dia seguinte a lavagem dos pratos e ninguém usa o quarto de banho, pelo que baixa o consumo de água.

Isto foi confirmado há algumas semanas, quando, com a autorização das autoridades, voltou-se a fornecer água quente nas casas de aluguel. Em vista de ter sido paralisado este serviço tanto tempo, contava-se com um consumo extraordinário de água no dia em que se reiniciou o fornecimento. Mas, precisamente naquela noite, houve uma emissão de uma revista popular de um teatro de Estocolmo, resultando que a maioria das pessoas permaneceu junto a seus aparelhos de rádio, deixando o banho ou a limpeza para o outro dia.”

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A partir da década de 60, o talento e a importância de José Medina foram reconhecidos. Prêmios, homenagens e pedidos de entrevistas de estudantes e jornalistas, viraram uma constante em sua vida.

Seus filmes foram exibidos nos festivais de cinema de Cannes e Punta del Este.

Em 1973, aos 80 anos, recebeu o Grande Prêmio da Crítica (na área de Cinema) da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte), por sua atuação e relevância no cinema brasileiro. A cerimônia teve lugar no MASP. Ao receber o prêmio, Medina disse: “Em mais de cinqüenta anos de carreira, este é o primeiro prêmio que recebo. Por isso estou muito contente.”

Em 1977, foi homenageado no X Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. José Medina esteve presente, e foi projetado seu filme “Fragmentos da Vida”.

A frase título deste post era habitualmente dita por meu avô, Belizário Rodrigues da Cunha, fazendeiro de Minas Gerais.

Neste domingo, 19 de maio, dia de mais uma Virada Cultural em São Paulo, pudemos comprovar a verdade da frase citada pelo fazendeiro de Araguari.

Em um evento organizado pela Casa Guilherme de Almeida, MIS (Museu da Imagem e do Som) e com apoio da Cinemateca Brasileira foi feita uma homenagem a José Medina, comemorando seus 120 anos de nascimento.

A projeção do filme Fragmentos da Vida foi belamente acompanhada ao piano por Anna Claudia Agazzi, bisneta de Gilberto Rossi, parceiro de Medina em seus trabalhos cinematográficos. A música? A partitura original do filme e algumas outras peças especialmente selecionadas pela pianista. Após a projeção, subiram ao palco Donny Correia (cineasta, representante- da Casa Guilherme de Almeida), Anna Claudia Agazzi e Vera da Cunha Pasqualin (bisneta de José Medina). Os três falaram sobre o filme, a criatividade e a beleza, o ineditismo e as soluções criadas por Medina e Rossi.

Duas bisnetas deixando registrado o orgulho e a influência dos bisavôs em suas vidas e a repercussão nos seus trabalhos profissionais.

O diálogo incluiu a plateia que também falou sobre a memória e sobre São Paulo do início do século XX.

José Medina se perpetua por sua obra e também pelo amor de seus descendentes.

Margarida M Cunha Pasqualin

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Anna Claudia Agazzi, Donny Correia e Vera da Cunha Pasqualin

 

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As famílias Medina e Rossi.

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“Sejam felizes! Sejam felizes se quiserem realizar no mundo alguma cousa que mereça a pena! A felicidade é praticamente uma simples questão de boa vontade. A vida é sempre a mesma para todas as creaturas humanas. Para todos existem auroras claras e radiantes, crepúsculos cinzentos e noites negras. Tudo se resume em fechar os olhos quanto anoitece e abri-los quando o sol desponta no horizonte para brilhar e acalentar.”

 

 

Comemoramos a vida transcrevendo este pequeno trecho de um conto escrito por José Medina na década de 1940.

Além da beleza da fotografia tradicional, José Medina nos deixou em seu acervo uma coleção de fotografias estereoscópicas, produzidas por ele na década de 1930.

A fotografia estereoscópica é formada por imagens iguais, que se repetem em dois quadros e quando as vemos, através do estereoscópio, elas se fundem e nos passam a impressão de uma imagem em 3 dimensões.

É fascinante.

Segundo a Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais, a fotografia estereoscópica foi desenvolvida pelo inglês David Brewster (1781-1868), amigo do fotógrafo William Henry Fox Talbot (1800-1877), em 1849, a partir dos estudos de visão binocular desenvolvidos no passado pelos italianos Giovanni Battista della Porta (1542-1597) e Leonardo da Vinci (1452-1519). A fotografia estereoscópica só foi comercializada, no entanto, a partir de 1851, consistindo em pares de fotografias retratando uma mesma cena que, vistos simultaneamente num visor binocular apropriado, produzem a ilusão da tridimensionalidade. Este efeito era conseguido porque as fotografias eram tiradas ao mesmo tempo com uma câmara de objetivas gêmeas, tendo os centros das objetivas separados entre si por cera de 6,3 cm – a distância média que separa os olhos humanos.

A ânsia em gerar imagens tridimensionais veio a culminar nos tempos atuais na invenção da holografia, mas teve na fotografia estereoscópica seu primeiro exemplo, que conheceu enorme popularidade durante as décadas de 1860 e 1870, quando imagens deste tipo eram produzidas aos milhares para atender à demanda sempre crescente dos colecionadores apaixonados. Diversos suportes, opacos ou transparentes, foram empregados para a produção de fotografias estereoscópicas, desde a daguerreotipia, a ambrotipia, a calotipia, as fotografias sobre papel albuminado ou de gelatina, bem como as transparências coloridas dos autochromes dos irmãos Lumière, precursoras dos modernos slides.

Vejam exemplos abaixo, inclusive do equipamento utilizado por Medina.

Nesta coluna podemos observar que faz pelo menos 70 anos que os representantes de vendas são verdadeiros guerreiros, com a árdua tarefa de convencer os donos das verbas a dispor de uma parte das suas fortunas para anúncios. Persistência e criatividade não podem faltar na receita de sucesso, ontem, hoje e sempre!

O “soldado” desconhecido do rádio

 Uma das vigas mestres que mais contribui para o sustentáculo do rádio é sem dúvida alguma o corretor de publicidade, esse herói desconhecido totalmente do público radiouvinte. Entretanto podemos afirmar por experiência própria que vender programas de rádio nesta terra é, além de uma demonstração de inteligência, uma prova cabal e insofismável de persistência e grande força de vontade. Isto porque, em geral, quando o corretor aborda um anunciante, transforma-se num camundongo que se dispõe a enfrentar um leão. Entra então em jogo a tolerância e a paciência do corretor, obrigado a perder horas e horas e usando às vezes de certos estratagemas para se avistar com o anunciante.

Conseguida a entrevista, ele – o corretor – tem que ser um verdadeiro psicólogo para convencer o anunciante das vantagens decorrentes da propaganda pelo rádio. Quando este tem espírito prático, torna-se relativamente fácil a concretização do negócio através da assinatura do respectivo contrato. Mas se sucede que o anunciante revela de início completo desinteresse pela proposta, aí então o “herói desconhecido” tem que usar de novo estratagema, para sair-se bem da entrevista, sem levar para a casa alguns desaforos. Desaforos muitas vezes pronunciados pelo mesmo anunciante, que manifestando a descrença na propaganda radiofônica, vai para a casa, refestela-se confortavelmente na melhor poltrona e liga o receptor para ouvir as piadas dos humoristas ou acompanhar os capítulos das novelas, esquecido, possivelmente que essa distração lhe é proporcionada, graças ao trabalho do corretor que teve habilidade para vender a determinados anunciantes os programas que lhe servem de deleite.

Nada teria de extraordinário que um dia as emissoras e os radiouvintes levantassem em praça pública um monumento aos corretores, esses “soldados” desconhecidos, talvez pelo fato de serem a engrenagem oculta dentro do maquinismo que movem em todos os sentidos essa maravilha que é o rádio.

José Medina

Crônica publicada no Jornal de São Paulo, na década de 1940.