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Archive for the ‘Rádio’ Category

Em tempos de falta de água em São Paulo, que tal esta solução? Encontramos esta “pérola” na página 6 do Jornal de São Paulo, publicado no dia 20/12/1946. Será que devemos promover mais programas de rádio que prendam a atenção dos ouvintes pra melhorar a situação?!

Transcrevendo:

“OS BONS PROGRAMAS DE RÁDIO DIMINUEM O CONSUMO DE ÁGUA. ESTOCOLMO (Via aérea) – A diretoria de Água observou um fato curioso relacionado com o rádio. É que existe uma pronunciada correspondência entre os programas de rádio e o consumo de água. Quando as emissões de rádio em Estocolmo são especialmente divertidas, as donas de casa adiam até o dia seguinte a lavagem dos pratos e ninguém usa o quarto de banho, pelo que baixa o consumo de água.

Isto foi confirmado há algumas semanas, quando, com a autorização das autoridades, voltou-se a fornecer água quente nas casas de aluguel. Em vista de ter sido paralisado este serviço tanto tempo, contava-se com um consumo extraordinário de água no dia em que se reiniciou o fornecimento. Mas, precisamente naquela noite, houve uma emissão de uma revista popular de um teatro de Estocolmo, resultando que a maioria das pessoas permaneceu junto a seus aparelhos de rádio, deixando o banho ou a limpeza para o outro dia.”

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Nesta coluna podemos observar que faz pelo menos 70 anos que os representantes de vendas são verdadeiros guerreiros, com a árdua tarefa de convencer os donos das verbas a dispor de uma parte das suas fortunas para anúncios. Persistência e criatividade não podem faltar na receita de sucesso, ontem, hoje e sempre!

O “soldado” desconhecido do rádio

 Uma das vigas mestres que mais contribui para o sustentáculo do rádio é sem dúvida alguma o corretor de publicidade, esse herói desconhecido totalmente do público radiouvinte. Entretanto podemos afirmar por experiência própria que vender programas de rádio nesta terra é, além de uma demonstração de inteligência, uma prova cabal e insofismável de persistência e grande força de vontade. Isto porque, em geral, quando o corretor aborda um anunciante, transforma-se num camundongo que se dispõe a enfrentar um leão. Entra então em jogo a tolerância e a paciência do corretor, obrigado a perder horas e horas e usando às vezes de certos estratagemas para se avistar com o anunciante.

Conseguida a entrevista, ele – o corretor – tem que ser um verdadeiro psicólogo para convencer o anunciante das vantagens decorrentes da propaganda pelo rádio. Quando este tem espírito prático, torna-se relativamente fácil a concretização do negócio através da assinatura do respectivo contrato. Mas se sucede que o anunciante revela de início completo desinteresse pela proposta, aí então o “herói desconhecido” tem que usar de novo estratagema, para sair-se bem da entrevista, sem levar para a casa alguns desaforos. Desaforos muitas vezes pronunciados pelo mesmo anunciante, que manifestando a descrença na propaganda radiofônica, vai para a casa, refestela-se confortavelmente na melhor poltrona e liga o receptor para ouvir as piadas dos humoristas ou acompanhar os capítulos das novelas, esquecido, possivelmente que essa distração lhe é proporcionada, graças ao trabalho do corretor que teve habilidade para vender a determinados anunciantes os programas que lhe servem de deleite.

Nada teria de extraordinário que um dia as emissoras e os radiouvintes levantassem em praça pública um monumento aos corretores, esses “soldados” desconhecidos, talvez pelo fato de serem a engrenagem oculta dentro do maquinismo que movem em todos os sentidos essa maravilha que é o rádio.

José Medina

Crônica publicada no Jornal de São Paulo, na década de 1940.

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Em seu plano geral, o rádio deveria dedicar uma maior porcentagem de programas de cunho educativo aos radiouvintes. Este deveria ser o apelo de todos aqueles que se preocupam com as coisas da educação. Além disso, os programas acentuadamente educacionais contribuiriam para sanear, pelo menos em parte, as imoralidades de que ainda usam e abusam certos elementos do nosso “broadcasting”. Talvez fosse uma medida acertada fazer com que o rádio se curasse com o próprio rádio; em outras palavras, fazer com que às transmissões de programas de efeito indesejável, sobre crianças e adolescentes, se contrapusessem os programas educativos.

Certa vez, discutindo o assunto com conhecido radialista ele argumentou que, os próprios livros que se destinam à educação têm também as suas edições que pecam contra a moral e os bons costumes. Ninguém duvida que se o livro pode servir ao mal, serve também às melhores causas, tornando-se dos mais prestativos instrumentos de saúde moral, de construção e de regeneração. Já é tempo portanto de se começar a fazer qualquer coisa para que a extensão e a profundidade do rádio tenha o mesmo valor educativo dos bons livros, pois praticamente, o rádio ainda não se associou à enorme influência que as transmissões possam exercer sobre o espírito de quem as ouça.

A verdade, entretanto, é que o rádio, tanto quanto o livro, e em certos casos mais do que o livro, quando os programas sejam racionalmente organizados, pode ser um meio admirável de influência cultural e educativa.

 Voltaremos ao assunto.

José Medina

Crônica publicada em “Jornal de São Paulo”, na década de 1940

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Chovendo no molhado

Hoje em dia o rádio não é um refúgio de nulidades, como certo cronista de prestigioso matutino desta Capital, quis fazer crer aos menos entendidos no assunto, chegando mesmo à ousadia de taxá-los de fracassados e analfabetos.

 Ninguém pode, contudo negar em sã consciência, que o rádio evoluiu muito e que já se foi o tempo em que se atuava nas emissoras por diletantismo. Hoje o rádio constitui um comércio, uma profissão e uma forma de expressão de pensamento das mais objetivas. Faz-se profissão do rádio atualmente da mesma forma que se faz da imprensa, do teatro ou do cinema. Cumpre ainda frisar, que o rádio direta ou indiretamente tem descoberto e revelado um número apreciável de artistas de todos os gêneros, que de outra forma teriam se conservado no anonimato.

 É engano também, insinuar que o rádio constitui um “bico”, para os cigarros ou para a entrada do cinema. Nada disso. Cantando, interpretando, fazendo humorismo ou apenas tirando cópias, exerce-se uma profissão honrosa, íntegra, repleta de responsabilidade.

 Além disso, atuam também no rádio os grandes artistas de renome, proporcionando desta forma, o prazer de serem ouvidos por aqueles cujos recursos, não lhes permitem o luxo de assistir aos concertos e recitais em teatros, cujos ingressos custam preços quase proibitivos.

 Essa história de apontar defeitos sem reconhecer qualidades ao rádio e aos que nele labutam é simplesmente uma utopia. Tanto o rádio em si, como os elementos que o integram devem ser considerados como realmente são. E se de fato há alguma coisa errada, o que achamos admissível, em tal caso apontem-se os erros e os errados. Pois cremos que deve ser essa a condição precípua da crítica criteriosa. Faça-se justiça, entretanto, àquilo que merece louvores. Porque isso de querer desfazer de uma coisa que é de agrado do público, equivale a chover no molhado.

 José Medina

Crônica publicada em “Jornal de São Paulo”, na década de 1940.

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Em um de seus primorosos roteiros de Radiatro, José Medina versou sobre a vaidade das mulheres e o que isso provoca na mente dos homens.

Abaixo alguns trechos do material intitulado “Assim são os homens”, irradiado na Radio Cultura, para que saboreiem em homenagem ao Dia Internacional da Mulher.

 

(…)

 

LOCUTOR        Uma poetiza mexicana, disse em uma de suas poesias que: os homens fazem as mulheres, como as querem, mas… em geral, não as querem como as fazem.

 

(…)

 

FERNANDO     Começa, porque Alice é uma pequena de idéias modernas e cheia de vontades. E como não podia deixar de ser, extremamente vaidosa. Eu, na qualidade de noivo e futuro marido, chamei-lhe a atenção para os seus modos exagerados, tanto no conversar, como no vestir e outras extravagâncias dela…

 

ROBERTO        Mas tudo isso é muito natural numa moça de idéias modernas!

 

FERNANDO     Ah! Mas eu não me conformo com isso! Eu vejo as mulheres por outro prisma muito diferente! Alice veste-se com uma elegância exagerada e irritante! Usa uns penteados escandalosos! E depois as maneiras…, o modo extravagante de conversar. Enfim, eu compreendi que tudo o que ela faz, é para se tornar mais bonita e atraente!

 

ROBERTO        Mas filho de Deus!… Ela é mulher!…E pode estar certo que se ela de fato procura ser atraente, é só para você.

 

FERNANDO     Ainda assim, as exibições que ela faz em público me deixam inquieto e irritado! Eu vivia constantemente dizendo a ela: “não ria tanto assim! Não olhe para aqueles rapazes! Por que aquele moço, a cumprimentou com tanta amabilidade? Não quero que você use vestidos tão escandalosamente decotados!…”

 

(…)

 

FERNANDO     Eu quero apenas… que ela não se vista tão exageradamente e que deixe de se pintar tanto. Isso chama muito a atenção dos outros rapazes, que vivem em torno dela fazendo-lhe a corte. Compreende Roberto? Eu a quero SÓ PARA MIM. Portanto, ela deve se vestir e proceder, de acordo com a minha vontade, e não com tantos fricotes!

 

(…)

 

(diálogo entre Fernando e sua noiva Alice)

FERNANDO     (Seco e revoltado) É justamente isso que eu penso de você. Si você me amasse de fato, teria ouvido os meus conselhos e não andaria se exibindo com tanto exagero!

 

(…)

 

ALICE              Bem…sendo assim, nada mais fácil para mim do que deixar de me arrumar e me vestir como de costume. Prometo a você que de hoje em diante, só usarei vestidos de fazenda barata. Só usarei tranças ao invés de ir à penteadeira. E nunca mais usarei pintura nem maquilage de qualquer espécie. Está bem assim?

 

(…)

 

FERNANDO     É isso mesmo, Roberto. Não me casarei mais com Alice! Talvez você fique aborrecido pelo incômodo que lhe dei. Mas infelizmente essa é a verdade. Não me caso mais.

 

ROBERTO        Mas por que? Algum motivo grave?

 

FERNANDO     A explicação é fácil: Eu não suporto a minha noiva!

 

ROBERTO        Mas então, ela não cumpriu o que prometeu a você?

 

FERNANDO     Sim. Cumpriu à risca tudo que me prometeu.

 

ROBERTO        E então?

 

FERNANDO     Sucede que ela perdeu todo o encanto. Não se cuida mais…Anda sempre desgrenhada…Veste-se horrivelmente…A tal ponto, meu amigo, que eu sinto vergonha de sair com ela à rua. Ainda no outro dia eu encontrei com um amigo que me disse:

 

VOZ Nº 1         Me diga uma cousa, Fernando. Aquela moça que estava ontem com você no cinema é sua parente?

 

FERNANDO     Não. É minha noiva!…

 

VOZ Nº 1         Sua noiva? Ora…deixe-se de pilherias! Eu não acredito que você tivesse coragem de se enamorar de um espantalho daqueles! (Ri) (Sai rindo até sumir)

 

ROBERTO        Mas será possível, Fernando?

 

FERNANDO          É o que estou lhe dizendo! Diante disso você compreende que eu não ia me casar com uma moça nessas condições! Seria abrir as portas do inferno.

 

ROBERTO        Meu caro Fernando, não é preciso que você me dê mais explicações. Compreendo tudo perfeitamente! E agora se me permite, vou lhe dar um conselho:

                               

FERNANDO     Que conselho?

 

ROBERTO        Opte pela primeira hipótese. Deixe que sua noiva se vista e se pinte, como ela entender. E ao invés de censurá-la, gabe-lhe o gosto e elogie as suas maneiras. Porque si as mulheres gostam de se mostrar atraentes, não são elas as responsáveis… somos nós mesmos, os homens. Lembre-se daqueles versos da poetiza mexicana: “Homens necios que criticais as mulheres, sabendo que sois os únicos culpados. Os homens fazem as mulheres como as querem. E depois não as querem como as fazem…”

 

Para ler o roteiro inteiro, faça download aqui:  Assim sao os homens_Jose Medina.

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Antes da televisão surgir…

O grande precurssor da televisão foi o Rádio. Através dele eram transmitidas as “novelas” que revelaram grandes astros com o galã Walter Forster, que trabalhou com José Medina durante anos em seus programas. Depois do sucesso em rádio, o ator ajudou a fundar a TV Tupy e ficou ainda mais famoso por ter dado o primeiro beijo da televisão brasileira. Confirma matéria publicada na Revista Metrópole sobre o galã.

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Rádio

Entretenimento e cultura para as massas.

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